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Equívocos nas implementações BIM

O BIM cresce a passos largos no Brasil: a Presidência da República oficializou recentemente a adoção da estratégia nacional do uso do BIM, criando com isso a base para sua adoção no país.
Fora esse fato notável, observamos o aumento no número de seminários sobre o tema, lançamento de manuais, editais, etc., porém percebe-se que o conceito de BIM como processo não foi completamente assimilado pelos empresários do setor da construção, pois, deparamo-nos com frequência, em casos mau sucedidos de sua implantação.
Na busca por usufruir dos benefícios do uso do BIM, as empresas costumam gastar tempo e recursos consideráveis em treinamentos da equipe, equipamentos sofisticados e softwares específicos. Entretanto, nem sempre suas implantações geram os resultados esperados.
A partir de nossa experiência prática em consultoria e em estudos bibliográficos podemos enumerar alguns fatores.

Contratação de empresas que possuem core business voltado para a venda de software e treinamentos para implementar o BIM

Tais empresas possuem tendência em direcionar para seus produtos ou soluções, não possibilitando a adoção de outras soluções ou soluções mistas que trariam maior desempenho e qualidade para o cliente, pois sua análise carece da isenção e neutralidade necessárias.

Compra de software e treinamento antes de uma etapa de diagnóstico e planejamento estratégico

O Diagnóstico Organizacional é uma maneira eficaz de olhar para uma organização para determinar as lacunas entre o desempenho atual e o desejado e a partir dele definir os alvos futuros, identificar as falhas de capacitação e construir estratégias para cobrir essas lacunas. O objetivo do diagnóstico é consolidar o conhecimento do grau de maturidade BIM da empresa, perceber os pontos que necessitam de melhorias e estabelecer um plano de ações para os ajustes e melhorias necessárias.

O Planejamento Estratégico deriva do Diagnóstico e consiste no estabelecimento claro dos objetivos do BIM a serem atingidos, de um orçamento dos custos da implantação e de um cronograma de trabalho e de sua métrica de avaliação do progresso.

Terceirização da modelagem BIM

Esses casos ocorrem quando os projetistas da empresa ainda não estão capacitados a modelar seus projetos em BIM. Este tipo de abordagem não agrega efetivamente nada para o cliente, o modelo BIM deve ser desenvolvido diretamente pelo projetista, não convertido a partir de uma representação 2D. Por isso não serve para treinar equipes, nem aferir ganhos ou produtividade. Ao contrário, atrasa o empreendimento e aumenta seus custos e riscos.

Proposição de editais equivocados para a contratação de consultoria BIM

Empresas privadas e públicas, vem propondo em editais ou cartas convite, escopos pré-concebidos de planos de implementação do BIM para a contratação de consultoria específica. A análise desses editais e a participação em algumas rodadas dessas negociações nos mostrou grande imaturidade técnica e baixa visão estratégica por parte dos agentes dessas proposições. Isso ficou demonstrado pela confusão de conceitos; uso de planos, ou parte deles, importados de outros países e em desacordo com nossas características culturais; visão simplista da implantação do BIM: entendimento que basta a contratação da redação de um “BIM mandate” para a solução do problema; visão restrita a implantação de pacotes de softwares e treinamentos e falta de visão sistêmica.

Em todos esses casos que vivenciamos, percebemos grande inflexibilidade por parte desses agentes. Questiona-se então qual seria o motivo que os leva a contratar consultores, uma vez que esses agentes já “sabem” de antemão os passos para a implantação do BIM? Entendemos que o papel da consultoria é exatamente o de auxiliar o cliente a traçar os caminhos e não o de simplesmente executar um plano pré concebido, onde a responsabilidade pelo insucesso acabará recaindo sobre o consultor.

Porque esses equívocos ocorrem?

Em nossa opinião esses equívocos ocorrem quando as empresas dão passos em direção ao BIM sem o apoio de Consultoria Especializada em BIM (e não apenas em softwares) e percorrem caminhos por “tentativa-e-erro”. Muitos dirigentes delegam os planos de implementação para o nível gerencial das empresas, contudo, esses profissionais ainda carecem de base e experiência no tema levando a resultados desfavoráveis para as empresas e para o BIM como um todo.

Sobre o autor

Leonardo Manzione é o fundador da COORDENAR e editor desse blog. Mestre e Doutor em Engenharia pela Escola Politécnica da USP, e especializado em consultoria BIM. Ele pode ser contatado através desse site clicando aqui.

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