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Porque as implementações BIM falham e o que você pode fazer sobre isso

O BIM é mais do que tecnologia

Para uma empresa de arquitetura, engenharia ou construção, o BIM é muito mais do que uma suíte de softwares. Claro, nós todos gostamos de acreditar que tudo que você precisa fazer é gastar o dinheiro para uma licença, então a tecnologia vai resolver todos os seus problemas?

Mas existe muita coisa além disso…

Claro, o BIM é uma ferramenta absolutamente maravilhosa, e ele tem um grande potencial de racionalização de custos e processos, para ajudar diferentes disciplinas se comunicarem de forma eficaz e para assegurar a estabilidade em um local de trabalho. Mas para chegar a essa terra prometida de benefícios, você tem que passar pelo deserto da adoção, que sempre parece depender de mudança organizacional, não a tecnologia. Esta é a verdade inconveniente.
Conheço diversos cases em BIM darem errado por uma série de maneiras, e estranhamente, em nenhuma delas a causa tem a ver com o próprio software. Visitei várias empresas onde o BIM tornou-se mais um custo, em vez de uma ferramenta de redução de custos, porque foi terceirizado para atender a uma exigência orientada ao cliente.
No curto prazo, isso é compreensível. Mas, no longo prazo, é absolutamente inaceitável.
Muitas empresas de projetos se apressam em adotar o BIM com grande entusiasmo, e elas imediatamente o empurram através de todos os seus projetos. Mas porque a velocidade da mudança é muito grande, eles rapidamente se atolam, e o BIM é abandonado. Tenho certeza que eles gastaram muito com software e treinamento para infelizmente ver esse investimento ir para o lixo. Mas isso é o que acontece com muita frequência.
Outras empresas implantam o BIM inicialmente com grande sucesso, mas em última análise, não são capazes de sustentar esse sucesso. Isso acontece em empresas que optam por contratar especialistas – “BIM Managers” -, ou mesmo uma equipe de especialistas e acabam tendo um “deixa isso para eles resolveram” como abordagem, ao invés de ter uma organização inteira tornar-se familiarizada com o software e os processos que ele necessita.
E o que acontece quando esses especialistas são tentados por ofertas melhores e vão para outro lugar? Uma empresa pode ir da vanguarda da implantação e sofisticação em BIM para o último lugar da fila. E isso não é apenas hipotético: já vi isso acontecer, em grandes empresas… Essa é a grande armadilha quando o BIM é um “apêndice” ao invés de uma linguagem que uma companhia inteira aprende a falar.

Defina o tom

Em uma situação ideal, uma empresa deverá ter uma estratégia de mudança antes da instalação do software. Como o BIM é uma mudança tão grande, que afeta cada aspecto do que uma empresa faz, o seu processo de implantação tem absolutamente que começar com o apoio do primeiro escalão.
E para trabalhar muito bem, o BIM precisa de muito mais do que um mero suporte. Existem muitas empresas em que executivos dizem: ” Mostre-me algumas dessas coisas do BIM que eu estou ouvindo! ,” e, em seguida, espera que a média gestão da empresa faça o trabalho pesado. Isso é geralmente uma receita para o fracasso.

Em vez disso, é melhor para esses executivos investirem em compreender verdadeiramente o BIM, o que significa para a sua organização, e quem pode ser o líder da implementação. E mais importante, este líder também deve ter o poder de criar os incentivos certos e a estrutura organizacional para que o BIM funcione.
É sempre melhor começar o BIM com a educação executiva, em seguida, orientar líderes através de um processo de compreensão não apenas do BIM na abstração, mas o que ele vai significar para a sua empresa, especificamente. Qual é a visão? O que se espera obter com o BIM? E o que os altos executivos precisam mudar em termos de incentivos, recursos e estrutura organizacional básica para que isso seja bem-sucedido?
Você pode se perguntar por que este nível de compromisso é necessário. Afinal, quando as empresas implantam outros softwares, você não verá o CEO em uma sessão de treinamento. Mas poucos softwares tem o potencial de mudar todos os aspectos de como o negócio é feito, desde a concepção, projeto, construção e operações do edifício. O BIM, quando implantado corretamente, não só permite que diferentes disciplinas colaborem de forma eficaz, ele essencialmente exige que elas façam isso.
Infelizmente, a maioria das empresas não se antecipam. De repente, há questões de governança, com organogramas e hierarquias que precisam mudar. No curto prazo, existem ineficiências inevitáveis, porque a adopção BIM vem com uma curva de aprendizado. Este processo pode ser representado com a curva J, mostrada abaixo. A curva J é uma ilustração do percurso que a maioria das organizações terá na implementação do BIM. Sua finalidade é esclarecer visualmente e estabelecer expectativas saudáveis no processo de introdução de BIM em uma organização.

curva j

 

Vá devagar para ir mais rápido

Com base nessa curva de aprendizado inevitável, é melhor para as organizações começarem devagar com a adoção da tecnologia BIM para garantir a melhor chance de sucesso. Em vez de implantá-lo em toda a linha, uma empresa deve usar BIM em alguns projetos escolhidos a dedo, com cuidado e deliberadamente, para dar aos membros da equipe um gosto. Se bem feito, muito em breve todo mundo vai quer estar em um projeto BIM e a expansão do BIM em toda a organização torna-se um processo orgânico.
Infelizmente, isso raramente é a realidade …o cenário de adoção BIM como “tabula rasa” é o mais frequente. Porque o que normalmente acontece é que uma empresa corre freneticamente para ele, sem fazer as mudanças organizacionais adequadas, e sem trabalhar para garantir que todos estejam a bordo. E então, em cima disso, o âmbito de um lançamento é simplesmente grande demais para algo tão novo e diferente como BIM.
Muitas vezes, um gerente de nível médio implora por ajuda depois que ele tentou implementar o BIM e falhou espetacularmente, deixando a todos com um gosto ruim na boca. “Se isso é o BIM,” a maioria das pessoas pensam, “Eu não quero ter nada a ver com isso.”
Em seguida, a tarefa de juntar as peças e acertar é realmente um trabalho maior do que começar do zero. As pessoas já não são neutras ou ignorante sobre BIM; em vez disso, eles pensam que sabem o que é, e eles não gostam disso. Parte do que estará se gastando novamente será o tempo para aprender exatamente o que deu errado e por quê.

Então, uma vez que uma organização esteja pronta, geralmente após várias semanas de análise, e armada com uma estratégia de Gestão da Mudança, elas podem começar de novo. A melhor maneira de construir o impulso é encadear algumas pequenas vitórias. Escolha apenas um ou dois pequenos projetos para agir como pilotos, trabalhos que andem bem, e levem as pessoas a se animar novamente sobre o BIM.
Muitos são resistentes à mudança organizacional ou quaisquer mudanças significativas na forma como eles fazem negócios e por boas razões. Assim, para que a mudança seja adotada, exigem-se líderes que tenham comprado a mudança suficientemente bem para venderem os benefícios para todos os céticos. Como vimos, muitos precisam ver os resultados serem mostrados em vez de falar sobre eles.
Mas acreditamos firmemente que o esforço compensa no longo prazo. Os resultados falam por si.

Sobre o autor

Leonardo Manzione é o fundador da COORDENAR e editor desse blog. Mestre e Doutor em Engenharia pela Escola Politécnica da USP, e especializado na modelagem inteligente de edifícios, iBIM. Ele pode ser contactado através desse site clicando aqui.

 

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