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Paixão, Profissionalismo e 3D na Abertura dos Jogos Olímpicos

ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS RIO 2016

Empresa: P&G Cenografia

Localização: Rio de Janeiro, Brasil

 05 de Agosto de 2016. 20:00

O cenário é o lendário e icônico estádio do Maracanã (Rio de Janeiro – Brasil) completamente lotado, onde em poucos instantes começará o espetáculo.

Não… Não estamos falando de uma final do campeonato Brasileiro de Futebol, mas sim de algo muito maior em notoriedade internacional.

Aliás, maior inclusive que a final da Copa do Mundo que ocorreu no mesmo estádio no dia 13 de Julho de 2014.

O experiente cenógrafo e designer da P&G Cenografia, Altamir Junior, em sua pequena mesa de controle dentro da “Box City” juntamente com coordenadores de outras áreas, enfim recebem o tão aguardado sinal via rádio: “Todos à Postos !”

E começa o espetáculo… A Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016!  Elogiada pela crítica especializada e pela imprensa nacional e internacional, a cerimônia foi transmitida ao vivo pela TV ou por stream na Internet, por diversas redes de broadcast em todo o mundo. Estamos falando de nada mais nada menos do que 3,5 bilhões de pessoas em todo o mundo.

A maior audiência de uma cerimônia de abertura de Jogos Olímpicos  já registrada.

UM DESAFIO PARA PROFISSIONAIS SELECIONADOS

Algo de tamanha visibilidade e notoriedade definitivamente não poderia ser executado por amadores. E por esta razão, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, selecionou entre as melhores empresas do mundo, através de concorrência internacional, aquela que seria a responsável pela produção executiva e artística das cerimônias de abertura e encerramento Olímpicas e Paralímpicas.
A empresa intitulada Cerimônias Cariocas 2016 (www.cc2016.com.br) foi a vencedora e, por sua vez, contratou a P&G Cenografia para executar o elemento cenográfico mais importante da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos: a “Box City”, como foi apelidado por seus idealizadores.

Reuniao durante montagem_m

Uma das diversas reuniões com o coordenador Altamir Junior durante o processo de montagem da Box City no Estádio Maracanã.

Entre outras atividades, coube à P&G o detalhamento construtivo, o desenvolvimento e realização de protótipos para testes de sistemas e materiais e identificação de falhas ou inadequações, além da apresentação de soluções técnicas e operacionais para a construção do cenário, sendo também responsável pela operação da “Box City” durante os ensaios e finalmente, durante a cerimônia.

Abel e Junior na montagem no Maracana_m

O cenógrafo Abel Gomes (Presidente P&G) e o designer Altamir Junior analisam a estrutura da Box City no local.

BOX CITY – A CIDADE DE CAIXAS E SEUS DESAFIOS

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Box City durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 em 5 de Agosto de 2016.

Conceituada pela premiada cenógrafa britânica Es Devlin e pela diretora criativa e cenógrafa Daniela Thomas, a ideia da “cidade das caixas” é ao mesmo tempo simples  e desafiadora. Como o próprio nome sugere, são caixas ou células cênicas, que simulam uma cidade e que atuam tanto como um cenário mutante  quanto um palco multi-nível, onde os dançarinos subiriam para realizar toda a coreografia e “performances”.

A estrutura interna das caixas, por onde circulavam os dançarinos, os artistas e profissionais da organização, foi em box truss e as molduras em metalon revestidas por diferentes “peles” feitas de  lona vinílica impressa, que formaram os diversos cenários durante a cerimônia.

À primeira vista, a montagem dessas caixas não parecia ser tão desafiadora se os seguintes pontos não fossem considerados:

1º – As caixas deveriam ter uma estrutura robusta o suficiente para acomodar um grupo de dançarinos pulando e dançando sobre elas.

2º – As caixas deveriam incorporar um mecanismo de troca de “peles”, num total de 7 peles por caixa.

3º – Toda a estrutura da Box City deveria ser montada sobre a arquibancada do estádio do Maracanã, ou seja, uma instalação que deveria ser minuciosamente planejada.

4º – Todo o complexo da “Box City” teria que ser composto por no mínimo 73 caixas.

5º – O mosaico formado pelas imagens das caixas teria que ser visto com o mínimo de deformação ótica por todos os presentes no estádio.

Tudo isso sem mencionar a tensão natural de um evento transmitido “ao vivo e que seria visto por bilhões de telespectadores em todo o mundo.

Omar Operando Vectorworks_m

O Arquiteto e cenógrafo Omar Muro analisa a montagem da estrutura da Box City em 3D no software Vectorworks.

Mesmo para os experientes Arquitetos e Cenógrafos Altamir Junior e Omar Muro Rodriguez, que coordenaram e acompanharam toda a montagem da Box City, essa não era uma “missão” trivial com a qual estavam acostumados em seu dia a dia. Apesar da longa experiência com projetos e montagens de mega eventos, eles sabiam que estavam diante de um grande desafio.

O processo de montagem das caixas de Boxtruss começou pela parte central e foi abrindo para os lados uma a uma já que os níveis das caixas adjacentes deviam ser conferidas e, muitas vezes, os níveis não batiam por causa do desnível da arquibancada do estádio.  Este tipo de imprevisto fez com que tivéssemos que rever boa parte do projeto para detectar o problema.” comenta o cenógrafo Omar Muro. “Houveram várias etapas difíceis na pré-montagem, como a pesquisa e os testes dos materiais e sistemas mais adequados para construção da Box City assim como o acerto dos níveis superiores de cada caixa. O processo de montagem também demorou mais do que o previsto em função da precisão que estávamos querendo obter entre os módulos e se errássemos durante este processo, todo o resto da estrutura ficaria comprometida. Por isso supervisionei em tempo integral a montagem do Boxtruss.”, complementou o cenógrafo.

Todo o complexo processo de construção foi realizado nas oficinas da P&G Cenografia sob a direção e supervisão do experiente gerente de construção, Julio Gomes, que nos relata:

Foi um imenso trabalho. Recebemos em torno de 300 desenhos técnicos e detalhamentos da equipe de arquitetos em arquivos do Vectorworks, que era analisados e posteriormente impressos e distribuídos a cada departamento nas oficinas. Cerca de 300 operários, dentre eles, carpinteiros, serralheiros, eletricistas e forradores traduziram os desenhos técnicos em realidade. Julio Gomes (Gerente de Construção P&G).

VECTORWORKS – 0 3D NA INTERFACE ENTRE A ARTE, O DESIGN E A FABRICAÇÃO

Considerando todas as condições e desafios mencionados, tanto a fabricação como a montagem das estruturas tinha que ser muito bem planejada. Um software de projeto 3D que permitisse uma modelagem rápida e, ao mesmo tempo, gerasse documentações detalhadas, seria fundamental

E neste ponto entra em cena o software Vectorworks.

Modelo Simulação de Montagem_m

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A escolha do software Vectorworks pela P&G Cenografia, é algo que já vem de longa data, como lembra o Designer e Diretor de Criação, Paulo Neves:
“O Vectorworks está na P&G desde o tempo em que se chamava Minicad (1996/1997) e eu já estava lá. Quando começamos a usar computadores na empresa adotamos softwares de desenho vetorial 2D como FreeHand e Corel. Não eram softwares técnicos mas nos permitiam tanto ilustrar um projeto, quanto fazer um desenho técnico, de maneira mais intuitiva. E foi aí que o Vectorworks nos conquistou, pois nos permitia, através da mesma forma fácil de desenho vetorial, a possibilidade de desenhos precisos”.

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“Os avançados recursos de modelagem 3D do Vectorworks, foram também fator determinante para sua adoção pela P&G. Hoje utilizamos 3D em todos os nossos projetos de todas as dimensões. Para estudos iniciais, renders e como apoio para a montagem dos eventos.” Paulo Neves (Diretor de Criação da P&G)

Como lembra o designer e cenógrafo Omar Rodriguez, “o Vectorworks também auxiliou na construção e montagem da estrutura de boxtruss, da estrutura tubular, pisos, guarda corpos, escadas de marinheiro, rampas e fechamentos, além do processo de detalhamento durante a pré-montagem e construção na fábrica, simulando em 3D todos os detalhes das caixas de metalon com todas as peças mecânicas dos leques e sistema de cortinas, simulando uma situação real do que poderia acontecer com as peças durante a construção e principalmente na montagem.”

Segundo, ele, com o enorme volume de trabalho e o curto prazo, um outro ponto facilitador, foi o fácil aprendizado por estagiários ou arquitetos que nunca haviam usado o programa antes e  “em menos de uma semana já estavam desenhando e detalhando no Vectorworks.”

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Altamir Júnior, designer e cenógrafo responsável pela coordenação geral da logística de produção e execução da Box City e que acompanhou cada minuto do processo da montagem, desde os estudos inicias até a entrega final, lembra:

“Um dos maiores desafios na Box City foi compatibilizar um projeto criado artisticamente com a realidade de construção. A praticidade de poder modelar em 3D, e ter um desenho técnico detalhado sem ter que ficar trocando de programas era um fator imprescindível:  No caso especifico da Box City, pela complexidade do projeto e as interferências, tanto da arquitetura do local como dos elementos cênicos, seria impossível trabalhar sem a integração 2D/3D perfeita. Levando-se em conta tempo, limite de orçamento, zero tolerância a erros e imprecisões, tecnologia de modelagem 3D intuitiva e até mesmo a padronização entre diferentes tipos de arquivos, o Vectorworks foi essencial em todas as etapas do processo.” concluiu o cenógrafo Altamir Junior.

SUCESSO NA ABERTURA, SUCESSO NOS JOGOS

Abel Gomes, experiente cenógrafo, diretor  e fundador da P&G Cenografia e presidente do consórcio Cerimônias Cariocas 2016, lembra o sucesso que foi a abertura:  “Até o meio-dia da sexta-feira, 05/08, estavam sendo vendidos, em média, 12 mil ingressos por dia para todas as modalidades. Depois da abertura, a partir do sábado, este número passou para cem mil ingressos.”

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Da esquerda para a direita: Leonardo Caetano (Diretor de Cerimônias pelo Comitê Rio 2016), Eng. Lee Castro (P&G), Fernando Sousa (P&G – Diretor Geral),  Carlos Arthur Nuzman (Comitê Rio 2016 e COB – presidente), Abel Gomes (P&G – Fundador, Presidente e Cenógrafo | CC 2016 – Sócio, Presidente e Diretor Artístico Geral), Omar Muro (P&G – Arquiteto e cenógrafo), Marcelo Braga (P&G – Coordenador de Montagem), Reginaldo Nascimento (“Japão”) – (P&G – Coordenador de Montagem), Flávio Machado (SRCOM – Sócio e Vice-presidente | CC2016 – Produtor Executivo das Cerimônias Paralímpicas Rio 2016), Altamir Jr (P&G – Designer e Cenógrafo)

Abel, que também atuou como Diretor Geral Artístico das 4 cerimônias complementa: “Com 516 anos de sua história, seria a primeira vez que o Brasil, em um mesmo momento, se comunicaria com o mundo inteiro”.

A abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi um espetáculo inesquecível e como bem concluiu Abel:

O sucesso da cerimônia de abertura é fator determinante para o sucesso dos jogos, ou seja, se a abertura é boa, os jogos são bons!

Abel Gomes (Cenógrafo, Presidente P&G, Presidente CC 2016)

E de fato foram, e ficaram certamente registrados na história dos Jogos Olímpicos.

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