Home Artigos A precisão dos quantitativos para BIM 5D depende de critérios, afirma Rosângela Castanheira

A precisão dos quantitativos para BIM 5D depende de critérios, afirma Rosângela Castanheira

A “quantificação automática e precisa” para orçamento de obras é sem dúvida alguma um argumento e tanto para que se adote o uso do BIM. É inclusive um dos mais repetidos.

Essa afirmativa, ouvida em 2012, a mim também encantou e saí em busca de saber mais sobre a novidade, já que dizia respeito à minha atividade profissional.

Mesmo com workshops, cursos, treinamentos, congressos, palestras e leitura/estudo de muitas, muitas publicações técnicas (artigos, manuais, livros), sou uma neófita em BIM (5 anos).

Mas na Engenharia de Custos, depois de 35 anos de atividades, me sinto confortável em fazer algumas observações sobre a afirmação que inicia esse texto.

É preciso deixar claro que o orçamento lida com quantidade de serviços e que serviços estão relacionados com a mão de obra que os executa, consumindo horas-homem.

E aí surge um conceito extremamente importante para o orçamento: o Critério de Medição e Remuneração (CMR) de cada serviço.

O CMR é um conjunto de regras que define como cada serviço será executado, o quê e como vai ser pago.

Fica fácil perceber então, que existem particularidades entre os serviços que obriga que cada um tenha uma regra específica e que a cada uma dessas regras estará associado um custo que retrate fielmente essa situação. Esse custo é calculado por meio de uma Composição de Custo Unitário (CCU).

Assim, cada serviço tem seu CMR e por conseguinte uma CCU. Essa CCU retrata as regras estabelecidas pelo CMR associadas aos consumos de recursos. Esta trinca de conceitos está atrelada definitivamente uma à outra.

Porém, o CMR pode variar de acordo com o que determina o contratante.

Acrescente-se àquela trinca mais uma fator, o contratante. Então, cada serviço tem seu CMR definido pelo contratante e por conseguinte uma CCU. Essa CCU retrata as regras estabelecidas pelo CMR associadas aos consumos de recursos. Esta quadra de conceitos está atrelada definitivamente uma à outra.

Um exemplo simples, para ilustrar:

SERVIÇO: execução de alvenaria de vedação utilizando blocos de concreto com dimensão (14x19x39)cm assentados com argamassa industrializada, juntas máximas de 1cm.

  • CMR da Tabela de Composições de Preços para Orçamentos (TCPO), da Editora Pini: “pela área executada, considerando cheios os vãos com área inferior ou igual a 2 m²; vãos com área superior a 2m², descontar apenas o que exceder a essa área.”
  • CMR da Secretaria de Serviços e Obras da PMSP, departamento de Edificações, EDIF: “O serviço será pago por m² (metro quadrado) de alvenaria de elevação erguida, considerando-se a área efetivamente executada, descontados todos os vãos e intercessões. Para efeito de orçamentação, deverão ser descontados apenas as áreas correspondentes à abertura de portas, esquadrias e vãos equivalentes.”
  • CMR da Companhia Paulista de Obras e Projetos (CPOS) do Governo do Estado de São Paulo: “Será medido por área de superfície executada, descontando-se todos os vãos (m²).”

Na quantificação de um mesmo serviço para contratantes diferentes, chegamos a 3 resultados, sendo dois deles iguais, pois têm a mesma regra de desconto de vão.

E os quantitativos extraídos do modelo BIM, como são calculados? O procedimento padrão é descontar todo e qualquer vão, na sua totalidade.

Esse quantitativo não é, portanto, quantidade de serviço. É quantidade geométrica, que tem sim finalidade, a de calcular consumo de material para a compra.

As tabelas geradas sequer informam quais vãos foram descontados e qual a sua área.

Concluo que essa quantidade não pode ser usada no orçamento.

Essa foi a primeira dúvida que me surgiu e até o presente momento, não obtive resposta satisfatória, sem falar na estranheza ao se ouvir a minha questão e o seu argumento.

Não significa que não tenha conseguido fazer esse ajuste. Esse e outros tantos que quando se conhece os dois processos, percebe-se que os mesmos podem ser incongruentes, caso não se debruce sobre a elaboração dessas tabelas e também sobre como se vai modelar.

Esse relato todo tem a intenção única de “levantar a lebre” e levar você à reflexão.

Tenho certeza que você vai comungar da minha discordância sobre a “quantificação automática e precisa”

Sobre a autora

Clique na foto para entrar em contato com Rosangela.

Fonte: Blog do Alvarenga Neto: http://alvarenganeto.com.br/quantitativos-orcamento-5d

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