Fonte: Agência Indusnet Fiesp

Além de ter um índice baixo, a evolução da produtividade foi lenta nos últimos anos. Entre 2000 e 2013, o índice de produtividade da construção civil brasileira ficou estagnado, enquanto os índices de alguns países em desenvolvimento tiveram evolução bastante satisfatória. Exemplos são o México e a República Checa, que tiveram, ambos, ritmo de crescimento de 1,1% ao ano na produtividade da mão de obra na construção. Nas economias em que a produtividade caiu, a base inicial, em geral, era elevada.

Fonte: OECDSTAT e IBGE. Elaborado por Ex Ante Consultoria Econômica. (*) ajustado à paridade do poder de compra.

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Baixa remuneração da mão de obra em todos os níveis

A menor produtividade é acompanhada por menor remuneração do trabalho. Em 2013, os trabalhadores da construção civil brasileira receberam uma renda bruta anual de US$ 11.300, a menor entre os países da amostra. Esse valor foi de aproximadamente um terço do salário médio da construção civil nos países da amostra.

Há uma relação direta entre produtividade e salários. Em 2013 o Brasil era o país com a menor produtividade e a menor remuneração do trabalho na amostra. Já a Bélgica, país com a maior produtividade na construção no ano, de US$ 106.400 por empregado, registrou um dos maiores níveis de remuneração (US$ 55.500l).

Fonte: OECDSTAT e IBGE. Elaborado por Ex Ante Consultoria Econômica. (*) ajustado à paridade do poder de compra.

Fonte: OECDSTAT e IBGE. Elaborado por Ex Ante Consultoria Econômica. (*) ajustado à paridade do poder de compra.

Todos esses dados e relações indicam que o crescimento mais expressivo da remuneração da mão de obra e do capital, requerem o avanço da produtividade: com a industrialização da construção, mudanças de métodos construtivos, integração da cadeia produtiva na busca de soluções completas e não pontuais, aumento do uso de máquinas e equipamentos, qualificação da mão de obra, capacitação gerencial dos dirigentes e gerentes de engenharia e arquitetura. Isso torna os investimentos em formação e capital humano e em pesquisa e desenvolvimento, estratégicos para a construção civil brasileira.

Os dirigentes da indústria deverão rever suas estratégias para os próximos anos sob pena de fecharem suas portas.

Os dados nos mostram que as empresas incorporadoras perderam uma grande oportunidade no lançamento dos seus IPOs, captaram recursos, mas porém não remuneraram o investidor. Com isso a maioria naufragou. Notícia de ontem, dada pela PINI, mostra que mais uma importante incorporadora, a PDG Realty, entrará com pedido de recuperação judicial.

PDG

O BIM não irá agregar valor se continuarmos a empilhar tijolos

O BIM é uma tecnologia poderosa pois com ele é possível construirmos uma plataforma aberta de comunicação, colaboração e integração entre os agentes da cadeia produtiva. Devemos entender esse como o principal benefício que o BIM pode trazer para a construção civil dar um salto de produtividade para os próximos anos.

O BIM entendido como uma ampla plataforma aberta nos remete para a questão da INTEROPERABILIDADE entre os softwares e a necessidade da adoção no Brasil de padrões abertos, openBIM. Caso continuemos a trabalhar de maneira isolada e com softwares proprietários a integração entre os agentes da cadeia produtiva será impossível. A questão vai muito mais além da criação de bibliotecas BIM, tanto governamentais quanto particulares. Recentemente a Autodesk vendeu as operações do Autodesk seek para a empresa Sueca BIMobjects. Trata-se uma importante ferramenta para os projetistas, porém os produtos são tratados como “isolados em prateleiras” e as possibilidades de integração não são sequer pensadas. Enfim, é um grande supermercado virtual. Creio que a possível evolução desse tipo de plataforma tenha que atingir a integração e a composição de produtos para a criação de soluções integradas e a abertura para o comércio B2B.

Falta de integração entre sistemas construtivos

Tomemos como exemplo o Drywall. Os fabricantes adotaram como estratégia a “venda de chapas”, ao invés de solucionar o sistema como um todo. A figura abaixo mostra uma instalação com um lado colocado e as tubulações passadas aguardando o fechamento do segundo painel. O que normalmente acontece nas obras? Existem dois agentes: o montador e o eletricista. O montador vai na frente e fica esperando a entrada do eletricista. A soma desses tempos de espera abaixa a produtividade do sistema todo. Mas porque é necessário um eletricista em um serviço que é basicamente de montagem? Não seria mais simples treinar o montador para fazer todas as operações de uma só vez e assim eliminar os tempos de espera. A falha nesse caso é a falta de visão da construtora em não perceber os princípios da “lean construction“: eliminar atividades que não agregam valor e reduzir tempos de espera.

drywall

Improvisações devido à falta de componentes

A figura abaixo mostra uma montagem onde claramente, devido a falta de componente específico, foi feita uma grosseira improvisação

Falta de compatibilização entre projetos

Os projetos tem grande capacidade de redução de custos, porém na figura abaixo produziram o efeito contrário. Observar falhas grosseiras de compatibilização entre as tubulações e o drywall.

A evolução da construção civil passa obrigatoriamente pela industrialização. A foto mostra uma montagem de um edifício com componentes prontos.

Banheiros prontos fabricados em indústria

A evolução tecnológica da construção tem que ter sentido. Afinal é para isso que utilizamos o BIM

Finalizando entendo que a tecnologia de construção e de informação tem que ter sentido de evolução e quebra de paradigmas caso queiramos aumentar drasticamente a produtividade nas obras. A solução abaixo é absurda e ridícula, pois procura automatizar o milenar empilhamento de tijolos…

Sobre o autor

Leonardo Manzione é o fundador da COORDENAR e editor do makeBIM. Mestre e Doutor em BIM pela POLI-USP, é especializado em Consultoria BIM. Ele pode ser contatado clicando aqui.

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