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Mohamad Kassem: “Estratégia para a difusão do BIM no Brasil”

A indústria da construção civil desempenha um papel principal em economias nacionais em países desenvolvidos e países em desenvolvimento como o maior contribuinte para o produto interno bruto (PIB), o emprego e o consumo de produtos intermediários (matérias-primas, produtos químicos, equipamentos eléctricos e eletrônicos, etc.) e serviços relacionados.

Sobre esse Relatório

Na atribuição do “Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior” e o “Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão”, sob o patrocínio do programa da União Europeia – Brasil Diálogos Setoriais, o consultor da UE BIM nomeado (Dr. Mohamad Kassem) e o consultor local (Prof Amorim) realizaram uma análise estruturada e ilustrada do BIM na UE e no Brasil, que foram apresentados em dois produtos finais chamados “produto 2”.

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Deconcic criou grupo para tratar especificamente de BIM. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Neste relatório (produto 3), os dois consultores utilizaram os resultados do produto 2 e as propostas, discutidas conjuntamente com os agentes de políticas brasileiras na reunião do DECONCIC de 1º de agosto de 2014, na FIESP em São Paulo, para produzir um conjunto de conclusões e recomendações para a difusão do BIM no Brasil. As referências bibliográficas encontram-se ao final do artigo.

Nota da tradução: em função do tamanho do relatório, essa publicação continuará nas edições posteriores.

 

1. Introdução

 A indústria da construção civil em todo o mundo tem sido universalmente criticada por sua limitada capacidade de inovação, sua produtividade saturada e desempenho de sustentabilidade.
Na sequência de uma evolução constante, tanto o conceito e as tecnologias de Building Information Modelling (BIM) ao longo da última década, BIM agora é percebido como um facilitador para maior integração dos processos de projeto e as partes interessadas, melhoria de desempenho de projeto (por exemplo, custo, tempo e desempenho ambiental) e a previsibilidade do resultado. Isso é inferido por vários relatórios comerciais, acadêmicos e relatórios da indústria documentando taxas de difusão de BIM e estudos de caso do BIM e mais importante, pelo aumento dramático de clientes públicos (por exemplo, órgãos governamentais, departamento e organizações) e corportações industriais que tem autoridade sobre o BIM e o dsenvolvimento de estratégias para sua implementação nos últimos anos.
O mapeamento das políticas BIM de seis países, inclusive no Brasil, revelou que existem oito componentes comuns dos países selecionados desenvolvendo políticas de implementação do BIM (Figura 1).
Neste relatório, primeiro comparamos brevemente o status desses oito componentes entre os países da UE selecionados e o Brasil e depois, vamos fazer uma lista de recomendações sobre cada um dos componentes da política de implementação do BIM no Brasil. Recomenda-se que este relatório seja usado como um roteiro de projeto para consulta entre as partes interessadas da indústria e especialistas em cada um dos oito componentes da política BIM. Figura 1.

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Figura1: Componentes de Macro Maturidade (Succar e Kassem, 2016)

Succar, B., & Kassem, M. (2015). Automation in Construction. Macro-BIM adoption : Conceptual structures. Automation in Construction, 57, 64–79. http://doi.org/10.1016/j.autcon.2015.04.018 

2. BIM na União Européia e no Brasil: uma comparação

A comparação entre os oito componentes comuns da política do BIM, entre os cinco países da UE e o Brasil, é ilustrada na tabela 1, usando quatro códigos de cores que representam o status atual de cada componente. A tabela 1 mostra que cada um dos oito componentes da política BIM foi encontrado pelo menos em três países diferentes.
Todos os seis países tem finalizado ou iniciaram o desenvolvimento de sua visão e estratégia do BIM. Os objetivos doBIM são também parte de uma estratégia mais ampla de construção dos governos, como no Reino Unido e na França, ou objetivos isolados estabelecidos pelas principais organizações estatais como na Finlândia, Noruega e Holanda.
Os protocolos e padrões BIM são quase completos em todos os países exceto na França e no Brasil, onde eles foram anunciados ou começaram recentemente. É importante destacar as diferentes abordagens para organizar os protocolos entre estes países. No Reino Unido, eles são orientados ao ciclo de vida (do programa inicial até a pós-ocupação e uso), divididos em protocolos de entrega (PAS 1192-2:2013) e protocolos para o fornecimento de informações à fase operacional (PAS 1192-3:2013 e BS 1192-4), e eles são principalmente os princípios do gerenciamento de informações que se aplicam a todos os ativos (construção e infra-estrutura) em novas construções e renovações. Na Finlândia, os protocolos são organizados pelo uso do BIM (por exemplo, análise energética, projeto MEP, projeto estrutural, visualização, garantia da qualidade, etc.) e eles incluem em sua versão mais recente o uso do BIM no gerenciamento de instalações. Na Noruega, os protocolos são organizados pela disciplina através de exigências específicas de domínio (arquitetura, mecânica, elétrica e telecomunicações, estrutural, paisagem, etc.). Na Holanda, os protocolos são adaptados para contratos de longo prazo; Eles se concentram em melhorar a eficiência de operação e manutenção e incluem a exigência e as especificações dos entregáveis em BIM ou partes.
Já estão em funcionamento nos países onde o uso do BIM é obrigatório, redes estabelecidas de líderes e dirigentes em BIM (ou seja, Reino Unido, Finlândia e Noruega) e eles começaram a se formar em outros países, como a França, onde foi anuncida a intenção da obrigatoriedade do BIM. Em países maiores, tais como o Reino Unido, a estrutura dos líderes e dirigentes é mais sofisticada e mais em camadas do que em pequenos países como Finlândia, Noruega e Holanda onde há quase uma única, mas muito grande, organização governamental patrocinando o BIM.
Produtos normalizados como a biblioteca digital BIM, estabelecida de acordo com os sistemas padrão de classificação ou de especificação de dados digitais, estão em estado avançado no Reino Unido e Noruega. No Reino Unido, eles foram desenvolvidos em iniciativas pelo setor privado (por exemplo, NBS, BIMstore) e na Noruega pela buildingSMART, capítulo nórdico.
Alterações à estrutura regulatória, que são introduzidas especificamente para o BIM não estão totalmente concluídas em nenhum dos países e progrediram mais no Reino Unido. Com efeito, em todos os quatro países (Reino Unido, Holanda, Finlândia e Noruega), onde o BIM é obrigatório e as estratégias para o BIM tem estado em vigor já por alguns anos, os termos de referência ainda são aqueles da fase precedente ao “project delivery systems”, disponíveis dentro de cada país. Este é frequentemente o caso, especialmente em contratos públicos, onde existem contratos de parceria que são compatíveis com o trabalho colaborativo em BIM, como ‘JCT Constructing Excellence’, ‘NEC3’ e ‘PPC2000’ no Reino Unido e ‘DBFMO’ e ‘DBM’ na Holanda.
Resultados de estudos de caso piloto sugerem que essas formas de contrato não vão exigir nenhuma alteração e também serão facilitadas pelo BIM – por exemplo, criação da equipe de projeto integrado logo no início do projeto. Em formas tradicionais de contratos, os requisitos do BIM, incluídos nos protocolos de BIM de cada país, são adaptados às circunstâncias do projeto e fazem parte dos documentos contratuais desse projeto. Em alguns casos (ou seja, plano de execução BIM do Reino Unido) eles são ainda utilizados na adjudicação do pré-contrato para avaliar a cadeia de suprimentos da abordagem proposta, habilidade, capacidade e competência para atender aos requisitos do cliente (ou seja, requisitos de informação do empregador).
A medição do desempenho do BIM no nível do indivíduo, organização e projeto ainda está incompleta em todos os países, com algum esforço inicial no Reino Unido, Holanda e Noruega. No Reino Unido, há uma estrutura inicial, publicada pelo grupo tarefa UK BIM, que descreve três conjuntos de competências: estratégica, de gestão e técnica. Na Holanda, há uma ferramenta de avaliação e análise comparativa do desempenho de BIM de organizações (chamada, BIM QuickScan) desenvolvida por uma iniciativa privada. Na Noruega, a buildingSMART está desenvolvendo um sistema de certificação para certificar profissionais para trabalhar em open BIM e uma estrutura de certificação para garantia de qualidade do projeto.
Setores de educação, em todos os países selecionados iniciaram a incorporar o BIM em seus currículos. No entanto, apenas no Reino Unido há uma estrutura nacional, desenvolvid pelo Fórum Acadêmico BIM (BAF) é integrado com o governo e usado como ponto de partida para a incorporação de BIM no currículo. Contrariamente, em todos os países selecionados a educação atualmente BIM é deixada às auto-iniciativas empreendidas por faculdades individuais ou acadêmicas e é incluída na maior parte nos cursos de pós-graduação. Em todos os municípios, a formação profissional está disponível e é feita por fornecedores privados (organizações de pesquisa e de treinamento, fornecedores de software) e organismos profissionais.

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Tabela 1. Comparação do status dos componentes das políticas BIM através de seis países

A infra-estrutura de tecnologia é considerada no estágio inicial em todos os países estudados exceto no Brasil, onde é bom o seu desenvolvimento, e no Reino Unido, onde está em desenvolvimento. No Brasil, o DOM – Diretoria de Obras Militares, desenvolveu um sistema de gerenciamento de projetos baseados em BIM chamado OPUS. OPUS é um sistema integrado para a gestão das fases de entrega de projeto (por exemplo, contratos, projeto, construção, demolição) que inclui informações sobre mais de 16.000 edifícios que compõem a carteira de ativos gerenciados do exército brasileiro. O OPUS é também um sistema baseado na web, em que modelos 2D e 3D, de várias fontes e em vários formatos, podem ser sobrepostos em um mapa do Google, usando um sistema de coordenadas. Através da web, o sistema permite a comutação de vários níveis de detalhes do modelo (3D, 2D, etc.) ou por fase de entrega de projeto (por exemplo, construção, demolição, etc.). No Reino Unido, a infra-estrutura de tecnologia, chamado ‘ plano digital de trabalho’ (dPOW), está sendo desenvolvido por um consórcio que inclui o NBS, o ‘ Rourke Laing, Microsoft, entre outros, e será de uso livre essa ferramenta BIM que pode capturar, validar e armazenar informações baseados na norma do nível 2 BIM disponível publicamente. Na Noruega, o projeto para o desenvolvimento de uma plataforma de colaboração online para toda a indústria norueguesa (ou seja, ByggNett) foi iniciada, em 2013, através de um levantamento de soluções e questões relevantes para o desenvolvimento de sua infra-estrutura de TI, que foi recentemente publicada (Hole Consulting, 2014).
Deixando de lado a discussão sobre a qualidade da implementação desses componentes, juntos, a tabela 1 e a análise acima sobre o status de progresso e atributos de cada componente, sugerem que há uma grande lacuna entre as políticas BIM no Brasil e na França e nos casos da Finlândia, Noruega e Reino Unido nas áreas de estratégia e visão; padrões; protocolos e guias. A diferença entre o Brasil e outros países (Reino Unido separado) é menor em outras áreas, tais como produtos normalizados, estrutura regulatória, educação e aprendizagem. Finalmente, a disponibilidade de uma infra-estrutura de TI no Brasil, representado pelo sistema “OPUS”, que é usado para adquirir e gerenciar projetos BIM exclusivamente para o exército brasileiro em todo o país, é considerada como um progresso notável do Brasil em comparação a outros países.

3. Recomendações para a difusão do BIM no Brasil

As recomendações sugeridas pela difusão do BIM no Brasil são baseadas em: conhecimentos adquiridos a partir do mapeamento estruturado de políticas de implementação do BIM em seis países e sua comparação, as discussões com os interessados na reunião do DECONCIC de 1º de agosto na FIESP em São Paulo, e a entrada direta de partes interessadas para alguns dos itens de diretiva incluídos neste relatório.
Sugere-se que este relatório seja usado como um roteiro de projeto para mais uma consulta com as partes interessadas da indústria e especialistas em cada um dos oito componentes da política do BIM.

3.1 Estratégias, objetivos e fases

Antes de sugerir estratégias, objetivos e fases de implementação do BIM no Brasil, é importante evocar os padrões-chave de dinstinção que sustentam o desenvolvimento de estratégias do BIM nos cinco países da EU estudados.
Todos os estudados países, em que o BIM é obrigatório e em especial a Finlândia e a Noruega, a obrigatoriedade foi procedida por anos de testes de tecnologias BIM nos projetos. Estes testes realizaram-se muitas vezes em iniciativas conjuntas público e privadas. Além disso, variáveis, tais como o tamanho relativamente pequeno desses países; o investimento histórico de pesquisas do uso da TI na construção desde décadas; e os contratos de construção absorvidos por um pequeno número de organizações estatais, levaram a aumentar a disponibilidade de órgãos públicos e, em parte, do setor privado, que obteve os recursos necessários para os contratos de construção usando o BIM e os padrões abertos. Isso justifica o tempo já existente da obrigatoriedade do BIM na Finlândia e na Noruega, que são os primeiros lugares do mundo a adotarem obrigatoriamente o BIM. Finalmente, os seus objetivos BIM foram estendidos em suas últimas atualizações incluindo também o uso do BIM na fase de operação e manutenção do edifício.
As circunstâncias no Brasil, França e Reino Unido são diferentes dos países nórdicos. Os tamanhos da indústria da construção brasileira, francesa e do Reino Unido são respectivamente, 2%, 3% e 2% da indústria global. Os três países são muito mais dispersos geograficamente e adjudicação de contratos públicos é mantida por inúmeros órgãos do governo, departamentos e organizações, distribuídas regionalmente ou centralizadas. Portanto, os desafios de alcançar a rapidez nesses grandes setores público são maiores e exigem uma estratégia de difusão que “eduque” e engaje e incentive tanto clientes, como as cadeias de suprimentos. As outras características distintivas identificadas nas estratégias BIM da França e no Reino Unido é que os seus objetivos em BIM fazem parte de estratégias da indústria da construção mais amplas e nacionais, e sua abordagem consiste em um ‘abordagem em estágios’ em termos do tempo da obrigatoriedade e o nível de utilização do BIM (este último ainda a ser anunciado na França). Em ambos os países, uma obrigatoriedade de cima para baixo (pressão coercitiva) do governo central foi considerada necessária para desencadear e acelerar a difusão do BIM nos respectivos países. Enquanto os detalhes sobre os objetivos e fases do BIM na França ainda não estão disponíveis (até a data do presente relatório), no Reino Unido os objetivos incluem a obrigatoriedade do nível 2 BIM (colaboração baseada em arquivos) e sua aplicação em todas as fases, desde a fase inicial e através do projeto, construção, operação e pós-ocupação.
As outras características distintivas identificadas nas estratégias BIM da França e o Reino Unido é que os seus objectivos BIM fazem parte das estratégias de construção mais amplo e nacional, e sua abordagem consiste em um ‘encenado abordagem’ em termos de ambos o tempo de mandato e o nível de utilização do BIM (este último é ainda a ser anunciado na França). Em ambos os países, um mandato de cima para baixo (pressão coercitiva) do governo central foi considerado necessário para desencadear e acelerar a difusão do BIM nos respectivos países. Enquanto os detalhes sobre os objetivos e fases do BIM na França ainda não estão disponíveis (à data do presente relatório), no Reino Unido os objectivos incluem a obrigatoriedade do nível 2 BIM (colaboração baseada em arquivos) em projetos e sua aplicação em todas as fases desde o início e através do projeto, construção, operação e pós ocupação.
O relatório da indústria mostra que o uso do BIM no Brasil é focado mais no controle de custos na fase de construção ao invés da colaboração com os proprietários. Isto representa um padrão de uso do BIM invertido do que o observado em outros países (UK, França, EUA, Alemanha, etc.) onde o BIM implicou maior colaboração com os proprietários e os outros participantes do projeto. Este uso do BIM e o nível de maturidade dos contratantes no Brasil podem provocar uma pressão de implementação em toda a cadeia de suprimentos. No entanto, este efeito pode ser limitada ou lenta. Com efeito, pesquisas pioneiras na difusão da inovação na indústria da construção civil demonstrou que as forças coercivas são mais significativas em influenciar a extensão da adoção do BIM, especialmente se eles são mediados pelo cliente ou pelo proprietário (Dimaggio e Powell, 1983; Mitropoulos e Tatum, 2000 e Cao et al, 2014)
Com base na análise acima, recomendamos as seguintes ações estratégicas para a difusão do BIM no Brasil:
• Incluir os objetivos do BIM como parte de um’estratégia de construção’ ou ‘visão’ nacional e oficial. Visões e estratégias nacionais de construção representam sempre uma fonte chave ou referência a todos os agentes da indústria. Os objetivos do BIM, explicitamente incorporados à visão, ou à estratégia nacional da construção são geralmente comunicados e recebidos mais eficazmente do que objetivos BIM isolados. No entanto, se a estrutura dos ministérios do governo brasileiro, em que as responsabilidades da indústria da construção são divididas entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Ministério das Cidades e o Ministério do Planejamento, Orçamento, e Gestão (MPOG), representam um desafio para a formulação de uma estratégia de construção, uma declaração conjunta sobre os objetivos do BIM, assinada conjuntamente pelos três ministérios , pode ser uma abordagem significativa e eficaz;
• Para a obrigatoriedade do BIM como parte de uma abordagem “em estágios” em projetos contratados pelo governo federal. A abordagem em estágios diz respeito a quatro dimensões: tempo para a obrigatoriedade, valor do projeto, fase do projeto e tipo de projeto (tabela 2).

Tabela 2. Abordagem em etapas para tornar o BIM obrigatório em programas financiados pelo governo federal no Brasil

As recomendações acima são originais na forma que elas fundem as estratégias de difusão da inovação do BIM nos países nórdicos (ou seja, abordagem em estágios em termos de tipo de ativo e cobertura do ciclo de vida do edifício) e as do Reino Unido e França (ou seja, abordagem em estágios em termos de duração da obrigatoriedade e estágio de uso do BIM). Estas recomendações também reconhecem as necessidades e permitem o tempo necessário, para a preparação e capacidade outros componentes da política do BIM como padrões, guias e protocolos (ou seja, atualizando normas pre-BIM e desenvolvimento de protocolos e padrões BIM), agentes do BIM e lideranças, estrutura regulatória, etc. Juntamente com a obrigatoriedade do uso do BIM, os princípios orientadores das recomendações feitas sobre os restantes componentes da política visam proporcionar uma estratégia que eduque, prescreva, se envolva e incentive. As responsabilidades e funções para ajudar a indústria a cumprir esta obrigação serão explicadas na continuação da série dessa publicação.

3.2 Guias e Protocolos

Guias e protocolos BIM compreendem a especificação, fluxos de trabalho, requisitos e normas que são necessárias para habilitar e organizar os processos de trabalho em BIM e produzir os entregáveis em BIM. A revisão dos protocolos BIM e guias em cinco países da UE revelou que existem abordagens diferentes para o seu desenvolvimento e estruturação (por exemplo, fase do projeto de macro – fases de macro entrega ou seja, de capital e operacionais no Reino Unido, por uso BIM – ou seja, visualização, simulação de energia, etc. na Finlândia, ou por disciplina – Arquitetônica, mecânica etc. na Noruega). Enquanto não existam critérios para julgar qual abordagem é melhor, as diferentes abordagens são provavelmente o resultado de padrões pre-BIM arcaicos e protocolos disponíveis em cada país. Por exemplo, na Finlândia eles se referem ao pré-existente “padrão TALO2000” que quebra a estrutura de um modelo em seus elementos e, em seguida, eles especificam para o BIM os “Requisitos de conteúdo de modelo de arquitetura” para os diferentes elementos em várias fases do projeto. No Reino Unido, eles referem-se aos padrões britânicos pré-existentes “BS 1192-2007: produção colaborativa de arquitetura, de engenharia e informação da construção” para desenvolver a especificação do BIM equivalente para gerenciamento de informações usando BIM (ou seja, o PAS 1192-2: 2013). Também para definir o papel e as responsabilidades dentro de um fluxo de trabalho BIM, eles se referem ao ‘CIC Scope of Services’ – um documento que inclui um escopo detalhado e integrado de serviços desde o início até a pós conclusão para a definição completa do projeto para ser construído e a tarefa para cada equipe de projeto. A conclusão é que os guias e protocolos BIM devem ser baseados em padrões pré-existentes relevantes e comprovados, se estes estiverem disponíveis. Em todos os países analisados, os protocolos e guias BIM foram desenvolvidos em grupos de trabalho e comitês diretivos, composto por especialistas da indústria do setor público, a cadeia de suprimentos da construção (por exemplo, arquitetos, engenheiros, empreiteiros, gestores de instalações, gerentes de projeto, etc.), aspectos legais, e empresas de tecnologia e software.
No Brasil, padrões pré-BIM e protocolos que são relevantes para o BIM incluem: 1. Secretaria de Estado de Administração Pública (nível Federal), publicado pelo Decreto n º 2296 em 23 de julho de 1997, para descrever os métodos de projeto, orçamentação e controle de projetos e serviços de construção e 2. Os “Manuais de Escopo”, que descrevem a arquitetura e a gestão do processo de projeto e seus respectivos produtos. Estas normas pré-existentes podem exigir atualizações usadas como uma referência para o desenvolvimento de padrões e protocolos do BIM.
Recomendamos a criação de um ” Comitê técnico ” de especialistas do setor (de todos os segmentos da indústria, mencionado anteriormente) que será responsável pelo desenvolvimento dos padrões e protocolos BIM que devem definir a obrigatoriedade para 2017 e 2018. Este comitê técnico deve idealmente presidido por um especialista da Comissão de trabalho da Associação Brasileira de Normas Técnicas CEE-134, a “Diretoria de Obras Militares” ou um órgão de representação da indústria. Deve incluir representantes da cadeia de suprimentos, bem como de empresas jurídicas, de tecnologia e software. Este comitê técnico deve se reportar para o “GTBIM Brasil”, nomeado conjuntamente pelo “Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão”, o “Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”, o “Ministério das Cidades” e “Caixa Econômica Federal”, com a responsabilidade geral de desenvolver e implementar os objetivos federais do BIM (Figura 2).
Em relação os diferentes tipos de organizações e estruturação dos protocolos e guias BIM, discutidos anteriormente, sugerimos o desenvolvimento de protocolos integrados organizado pelo uso do BIM em fases diferentes do projeto, que é uma abordagem similar àquela adotado na Finlândia, mas sem dividir os protocolos em como muitos volumes ou partes. A organização dos protocolos para uso do BIM é compatível com a atual metodologia a ser utilizada no Brasil para desenvolver a biblioteca digital do BIM. Estes protocolos BIM devem referir-se a padrões pre-BIM disponíveis no Brasil, tais como aqueles discutidos anteriormente, seguir sua revisão e atualização e eles devem abordar o nível de desenvolvimento de informações (ou seja, gráfica – modelo 3D – e de dados não-gráficos) necessários em cada fase do projeto. Uma descrição dos conceitos-chave e uma taxonomia compartilhada ou glossário de termos nos protocolos também é importante para a compreensão coerente e a comunicação dos protocolos em toda a indústria. Recomendamos também a inclusão de “Protocolos de execução de BIM” modelo nos protocolos, semelhantes aos disponíveis no Reino Unido, que podem ser adaptados em função do tipo do projeto. Finalmente, recomendamos a definição de um papel profissional (por exemplo, similar ao papel de Information Manager criado no Reino Unido), que é responsável, em nome do cliente, para o gerenciamento de informações em um projeto do BIM.

3.3 Líderes e Especialistas

Cada país, onde o BIM é obrigatório em projetos do setor público, foi observada a criação de inúmeros líderes e especialistas. Dos cinco países estudados, líderes e especialistas foram encontrados para ter os seguintes atributos:

  • Líderes e especialista que fazem parte dos planos estratégicos e formalmente são incumbidos de ações específicas (por exemplo, envolvimento da indústria), no âmbito da política BIM. Estes são também grupos ad hoc estabelecido para a entrega da política BIM (por exemplo, grupo de tarefa do BIM e Hubs regionais do BIM no Reino Unido) ou profissionais pré-existentes e corpos da indústria, que representam uma ampla gama de profissionais de construção (por exemplo, construção Industry Council no Reino Unido). Estes grupos incluem os membros que são capazes de desenvolver e implementar a estratégia BIM nos níveis regionais e nacionais;
  • Grupos de voluntários Interessados, que são afetados pela obrigatoriedade do BIM e visam promover o conhecimento do BIM para seus membros em suas respectivas áreas e certificando-se que suas necessidades são levadas em conta pelos formuladores de políticas. Muitas vezes representam o lado do usuário que defende o uso do BIM em disciplinas específicas;

Referências

Succar, B., & Kassem, M. (2015). Automation in Construction Macro-BIM adoption : Conceptual structures. Automation in Construction, 57, 64–79. http://doi.org/10.1016/j.autcon.2015.04.018 

Kassem, M. & Amorin, S. (2015). BIM. Building Information Modeling no Brasil e na União Europeia. Brasília, 2015.
Disponível em < http://sectordialogues.org/sites/default/files/acoes/documentos/bim.pdf>, acesso em 7/9/2016

BIO: Dr. Mohamad Kassem é Professor Associado em Mecânica e Engenharia de Construção da Universidade de Northumbria. A perícia do Dr. Kassem varia do desenvolvimento estratégico do BIM, políticas de desenvolvimento do BIM, escopo técnico e implementação. Ele apoia vários comitês e formuladores de políticas em todo o mundo, incluindo um papel oficial como consultor – nomeado após um processo de seleção a nível da UE – para o governo brasileiro com a responsabilidade para o desenvolvimento de um roteiro de adoção do BIM para o Brasil. Ele é um reconhecido pesquisador especialista em Building Information Modelling (BIM) e publicou mais de 50 artigos sobre diretivas do BIM, processos e tecnologias em conferências e revistas internacionais. Dr. Kassem detém, em colaboração com uma equipe na Universidade de Teesside, participou de várias pesquisas e bolsas empresarias (valor total mais do que $2m) de de organismos de financiamento britânicos e internacionais. Dr. Kassem participou de várias apresentações públicas na Bélgica, Brasil, Holanda, Portugal, Qatar, Espanha e Reino Unido.

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